Ela pensava que sorrindo todo tempo, conseguiria ser feliz o tempo todo , ela quis acreditar que o sonho se difundiria com toda a realidade, e que juntos formariam uma vida perfeita .
E por sonhar demais, se enganar demais, o chão finalmente se mostrou abaixo das nuvens por ela envoltas.
Ela se via em uma queda por mais de metros , se lembrava do quanto poderia ter sido diferente em relação a si mesma , mas infelizmente era muito tarde para que as coisas fossem reparadas, viu o estrago que aconteceria caso chegasse ao chão , e teve, mesmo que fosse mínima , uma única esperança de que alguma das nuvens que lá em cima habitava conseguissem descer e por debaixo do seu corpo caído a sustentassem .
E por mais que a esperança crescesse de acordo com a velocidade e aproximação do chão, a garota não imaginava que nesse curto espaço de tempo, ainda continuara sonhando.
O chão veio, juntamente com toda a dor causada pelo grande impacto, era uma dor sem fim , onde cada músculo contraído era sinal de mais um osso quebrado, as pernas e os braços eram muito fracos para se moverem, a cabeça continuava imóvel juntamente com todo o resto , os olhos transbordados de lágrimas olhavam para o céu, como se as nuvens tivessem alguma culpa.
Aos poucos toda a dor que se resumia a lágrimas , começava a se desvanecer de seus olhos , as nuvens aos poucos foram ficando cada vez mais molhadas a medida em que a garota se secava, o corpo já não era tão pesado como antes , e a força para se levantar finalmente se mostrava.
O tempo não parecia bom, mas também nada de chuvas ou trovoadas, a garota continuava sua vida, o sorriso apesar de não ser mais o mesmo , mantinha-se presente em seu rosto sempre quando necessário. Era controlada agora, não pelos sentimentos, mas sim pelas obrigações, e aos poucos ela ia se distanciando de toda sua verdadeira essência.
Se olhava no espelho e se perguntava o porque de tudo aquilo, não sabia mais controlar a si mesma, queria ser feliz mais o coração palpitava outros rumos, ela via toda sua imagem sendo distorcida pouco a pouco, e mesmo assim de nada se tocava , ela conseguira finalmente se tornar uma morta entre os vivos .
Deitada a partir de então, ela não conseguia mais se levantar dos tantos sonhos que lhe afloravam na mente, dos tantos sonhos que a faziam gritar noite após noite e se remexer na cama, remoendo cada pedaço de uma história que fora aos poucos sendo destruída. Agora não teria mais escapatórias, os lençóis molhados e remexidos, eram sinais de que as noites poderiam ser mais longas do que o previsto ; foi caindo em si mesma até não conseguir mais se libertar, era agora só ela e seus maiores temores disputando noite após noite a tranqüilidade que ali não mais habitava.
Finalmente o seu vazio particular se mostrou mais forte e mais dolorido do que nunca, a queda não fora nada perto de tudo aquilo, a dor em não sentir absolutamente nada era pior do que cada osso quebrado, ou cada lágrima, antes derramada. Ela agora lutava contra si mesma, contra cada crepúsculo que antecederia a escuridão de seus temores.
Era deitada que tudo acontecia, onde cada lágrima de sangue era derramada por dentro. O seu coração chorava pedindo mais e mais, e assim as coisas eram. A garota por mais forte que pudesse se mostrar diante de todas as pessoas, a noite, não conseguia manter tal firmeza. Tudo ia acontecendo rapidamente, e sem qualquer aviso prévio a solidão havia acabado de chegar.
Não tinha mais nada que pudesse preencher o vazio particular, a não ser toda a angústia e medo que dela sobressaiam, e agora toda a fachada construída pelo que restava de sua dignidade era destruída de uma só vez, desvendando tudo o que havia por trás.
A garota nunca imaginaria que o fim pudesse estar tão presente como naquele momento, todo sentimento que haveria de destruir as pessoas estava presente dentro dela, e de lá não mais saía ; E por mais que tentasse, todo esforço ao pôr-do-sol, se mostrava em vão. Ela agora pedia por ajuda, e buscava nas mais árduas esperanças um motivo pra sorrir novamente, nem que fosse pela simples coceira na garganta, que agora a fazia tossir (...)'
Um Prólogo .
05:41 |
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