Seja no Ódio Seja na Dor , Amor .

1ª: Conheci o amor quando tinha a idade certa pra sofrer. Eu não era muito maluqinha, nem ao menos me arriscava demais, estava apenas, parada ... quieta, sentindo o vento nos cachos e o coração pulsar para lá e para cá, num ritmo alinhado sem maiores desordens.
Um estranho sentimento de calor por dentro, como se o coração fosse saltar pela boca, e de repente uma figura esguia  em minha frente. Ele não precisava mover os lábios para que eu pudesse me encher de sua presença e nem ao menos me tocar para que o meu corpo ficasse literalmente febril, ao mesmo tempo eu também não precisei abrir a boca para que minha presença fosse totalmente ignorada.
A caneta e o diário não significaram mais nada, a partir do momento em que não havia muito o que se descrever do que havia ocorrido comigo, o próprio sentimento se tornara inexplicável até mesmo pro meu coração, que com tantos batimentos, havia se congelado por um minuto naquele dia.

***

2ª: As garras das pantufas se mostravam inquietas, a caneca esfumaçante e o livro de Sheldon estavam postos sobre a escrivaninha sem a menor chance de continuarem sendo manuseados.
Talvez o chocolate e o livro não fossem o bastante para que eu conseguisse esquecer o rosto de quem me excluía do planeta terra, ou quem sabe da galáxia inteira de seu mundo.
Eu havia entregado meus sonhos junto com um pedaço do meu coração como parte inicial do contrato de amor, ele então viera com a apatia e dera um jeito de roubar o pedaço do coração só pra ele, e a cada dia que se passava eu sentia dentro de mim o quanto essa parte não estava sendo feliz em suas mãos.

***

3ª: O cemitério aquela manhã não estava vazio como das outras vezes, era dia de finados, e os mortos, quem sabe, estivessem alegres vendo toda aquela gente viva limpando e colocando jarros com flores em suas respectivas 'moradias', talvez o único incômodo fosse essa garota sentada olhando pro nada, não fazendo nada por nenhum deles, estando ali apenas por gostar de estar ali, sendo em contrapartida invejada por muitas almas que desejariam o seu lugar; me desviei então do pequeno devaneio, sobre gente morta gente viva, e voltei minha atenção ao diário.
Já se faziam exatamente 1 mês em que eu não escrevera nada ... mas escrever o que ?! Ele conseguira deletar qualquer que fosse o dom para traduções de sentimentos de minha cabeça e consequentemente nem as pontas dos dedos conseguiam se expressar por mim ..., porém agora ao mesmo tempo em que tudo estava estranhamente bem, tudo se resumia em buracos, a medida em que um era preenchido novos surgiam, os sentimentos que eu impusera estavam destruindo meu próprio coração e a medida em que os dias iam passando, parte de mim se juntava ao primeiro pedaço roubado e juntos viviam em desconsolo.

*** 

Consegui agora por fim, escrever minha primeira palavra no diário: 'insanidade'.
"Os apaixonados são taxados pela loucura, pelo amor que vêem como a essência de sua única vida. Os que não são correspondidos, vêem  na loucura a única razão para ainda permanecerem nela !"

 ***

tão digna quanto um Epílogo:

Conheci o amor quando tinha a idade certa pra sofrer ... Eu não era muito maluquinha, nem ao menos me arriscava demais, estava apenas parada .. quieta, sentindo agora metade de um novo coração a pulsar dentro de mim, com ritmos desalinhados sem maiores chances de ficar em ordem, passando então a desconhecer a dor no momento em que Ele, olhando eu meus olhos, me envolveu em seus braços (...)'


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