Após intensas horas de pura nostalgia, decidi por fim o que fazer com você, nos próximos minutos, nos próximos dias...
Suaves lembranças de um tempo onde o riso era sincero, onde a dança era perfeita, e você não era simplesmente um sonho que eu nutria a cada noite; Eu me elevei, talvez tenha ido longe demais com o plano, mas pra quem ama existem limitações ?!
Eram pequenas as mãos para o tamanho do valor depositado em cada objeto, eu os separava, pegava um a um e assim ia colocando ali dentro daquela gaveta do móvel velho, o qual a partir dali teria uma importância indistinguível, um relicário imenso, imenso desse amor.
A cada carta não enviada um sorriso de compaixão própria, a cada letra de música que me trazia você, um sorriso por ver o quanto tudo era tão lindo, e agora fotos não menos importantes e sim essenciais traziam a tona memórias dos planos de ficarmos bem.
Eu me sentei diante de tudo aquilo e me debrucei, era tudo forte demais pra um só dia, o envelope amassado encaixava perfeitamente cada rastro de esperanças vivenciadas ao longo dos meses em que estamos separados, as lembranças com o seu sorriso agora se devaneavam sobre a minha mente, perdidas, divertidas e tristes por carregarem o peso de serem apenas lembranças.
Por fim me ergo, fecho a gaveta e tento não pensar em quantas vezes mais ainda irei abri-la pra me encontrar com você, pra me encher de sonhos que com o tempo se mostram mais perdidos que os nossos caminhos, quero me encher da sua presença afinal, para que no fim do dia me sinta mais disposta a encarar a noite, para que eu te veja e sinta sua essência me atravessando a cada instante, para que você não seja apenas mais uma gaveta dentre as várias outras que existam por aí .,
E com o passar dos dias percebo o quanto sou cheia de você, o quanto você se torna entupido com as partículas que formaram cada momento do ‘nós’, e a medida em que a gaveta se enche um novo espaço consegue se abrir para que receba mais de você dentro dela, talvez eu não seja tão discreta assim ao ponto de te guardar, mas o grito já não me favorece mais, eu te escondi e você fica ali, e por fora eu vivo a minha vida. E nesse abre e fecha de recordações e nostalgias a serem vividas, algum dia talvez eu tenha a não tão surpresa percepção de o quanto te deixei empoeirado num canto do quarto.., ali naquela não tão importante gaveta de um móvel velho.







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