Desamor

Há muito parecia não estar bem, andava de um lado para o outro sem parar, fazia questão de que o relógio ficasse no mesmo lugar, para que pudesse vez ou outra observar o tempo que ainda restava. Que tempo ?! O que estava se acabando afinal ?! Nem ela mesma sabia, porém tinha absoluta certeza de que algo se findaria.
Foram tantos os soluços aquela noite, o quarto transbordado de lágrimas já mostrava os sinais de que o desmaio viria logo em seguida. Era sempre assim, chorava tanto que a dor se tornava insuportável dentro do peito, e pronto, já estava anestesiada.
E de uma hora pra outra começava a se lavar, dizia que o corpo queimava, que as cicatrizes nunca sumiam, e que a água era a única maneira de jogar fora toda sujeira, as chagas se tornavam maiores dentro de seu coração e isso era visível, pelo jeito de andar, pelo jeito de olhar e até pelo jeito como ela encarava as coisas. Um dia ela cansa, um dia ela aprende a verdadeira vida a ser vivida, talvez ainda não esteja pronta pra tudo, ou talvez esse tudo a tenha transformado nesse nada...
Agora olhando pro céu, ela pensa em como será feliz junto às estrelas, e tenta construir um foguete de papelão. Se sujeita a ir à lua ou talvez visitar algum planeta, só não permite falhas em sua imaginação, pois é ela que move o seu mundo desequilibrado.
E então um dia, sem mais nem menos começou a prestar atenção no barulho que o seu coração involuntariamente fazia, tentou senti-lo mais de perto e até pegá-lo, impossível! Ficou desnorteada e preocupada, porém a cada dia era uma nova e mais intensa tentativa, ficava horas enfiando a mão por baixo da blusa e acariciando aquele pedaço metaforicamente ‘morto’ de pele. Porém nada fazia com que o coração saltasse do interior do corpo para suas mãos, aquilo era o fim pra ela, sempre era motivo de agonias e desesperos, noites mal dormidas agarrada ao travesseiro onde o vazio só se resultava em gritos. O coração era realmente algo inalcançável para ela, e quando percebeu isso, sem mais gritos, decidiu por matá-lo.
Esse talvez fosse o fim esperado por ela, e por todos. E quando deu por si, já não havia mais sofrimentos, o corpo não carregava tanta carga, e o coração, bem ... dele só se havia lembranças boas, as ruins foram apagadas e levadas embora, juntamente com todas chagas e cicatrizes que havia por dentro.
Recomeçar do zero, já não era possível, mas continuar a sonhar sim. Apesar de não conseguir tão cedo sua redenção, ela agora buscava novas formas para que houvesse uma solução, afinal, sua vida se tornara sua prioridade a partir do momento em que não a tinha mais.

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