Olhei em todas as direções e só conseguia focar o sonho que me deixava míope, embaçado e contrariamente inalcançável, os muros se erguendo em volta de mim faziam parte das decisões a serem tomadas, iam fechando entradas e saídas e mostrando que o tempo nunca fora tão curto assim, e foi ali no canto esquerdo da vida, no caminho turvo e fechado que eu decidi, então, me desfazer e dizer um adeus a tudo que me prendia ao passado.
Na fossa mais profunda da terra, os pedaços de pequenas vidas contida em cada retrato iam se desfazendo pouco a pouco, do pedaço de rosa envelhecida só se restara a essência de perfume que agora se espalhara por todo canto por longos cinco minutos, os devaneios também foram jogados para fora juntamente com o pedaço de coração que um dia lhe pertencera e que agora se resumia a uma dolorosa parte oca coberta com pele morta.
Ajoelhada agora, tento me encontrar em um lugar onde os velhos sonhos se escondem, e por mais perversa que eu possa ser querendo arrastá-los também para o fundo dessa fossa, vejo que o momento não é o ideal, a estrutura além de se encontrar sólida demais também trava uma árdua batalha com o resto de sentimentos que ainda possuo, o passado nunca se encontrou tão presente naquele momento ...
***
Sim, os sonhos cederam e já posso me curvar um pouco para cima, sinto que a força revigorante de um histórico limpo sem mais remorsos me deixa mais solta, me deixa mais leve ... em demasiado descontrole, eu agora me exorto de qualquer vestígio, ou das mais 500 vidas que possa ter tido, de pé e sem olhar para trás corro destruindo o que horas antes havia se colocado à minha frente, as barreiras não eram mais empecilho quando o que estava morto não havia mais chances de renascer.***
"Amigos e amores, ao vazio que agora lhes impera, incapazes de se configurarem ao meu tempo, exalando o frio mais tênue no fundo de uma fossa sem saída ... dizer adeus não foi fácil, porém necessário para que o presente conseguisse me emanar de seu aconchego, indo contra todo o ar gélido, do qual o passado me condenava (...)".
Pauta para a 1º edição de cartas do Bloínquês.







1 comentários:
'os pedaços de pequenas vidas contida em cada retrato iam se desfazendo pouco a pouco' - ... (sem palavras!)
muito bom seu texto, moça, parabéns! =]
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