Vou descer as escadas e andar diretamente até a praça, um pouco tranqüila talvez, mas o meu problema de ansiedade não permitirá isso, bem ! Andarei reto sem desvios, as únicas curvas serão as necessárias para se chegar ao local marcado ... e então eu mostrarei a ele o quanto posso ser forte, e o quanto esse sentimento já se encontra no estado de coma.
Eu o posso ver , abaixo a cabeça, “não seja covarde” algo grita dentro de mim, levanto- a então e continuo andando como se nada houvesse acontecido, como se nada houvesse para acontecer ...
“Como consegue ser tão lindo, como consegue me acalmar só com esse olhar que outrora fora o responsável pelas noites varadas de insônia e que ainda vez ou outra me provoca calafrios como agora ... como consegue ser tão ...” e então meus pensamentos foram interrompidos por aquela voz calma e melódica, me disse um oi e queria saber como eu estava, rá ! como se não soubesse fazia tempos, pois era exatamente nesta hora que todo encantamento sumia e me vinha a mais louca vontade de desaparecer com ele da minha frente, idiota !
O vento se mostrava inquieto e as folhas secas das árvores já não se opunham em dançar na nossa frente, o meu cabelo deveria estar cheio delas, mas eu não me importava ... aliás poucas coisas andavam me importando ultimamente e ele com certeza era uma delas. Se eu acordava no meio da noite gritando ou estava agitada demais, poderia ser que ele estivesse nos meus sonhos gritando pro mundo o quanto eu não conseguia arrastá-lo de volta para mim, me culpando pelo fim absurdo e trágico de tudo , como sempre ...
Devaneios á parte , ele estava sim, sentado ao meu lado ... me olhava vez ou outra quem sabe decidindo o melhor jeito de cair fora dali sem que eu começasse com os meus dramas, mas não, ele não faria isso ... ele sabia o porque de tudo, sabia o porque eu o havia convocado, marcado o lugar e a hora, devo confessar que ele foi o mais pontual possível, ele talvez conhecesse o real motivo, talvez ... mas acredito que não tenha notado o quanto eu tento ignorar e mostrar que sua presença tem se tornado insignificante pra mim nos últimos dias, o quanto eu agora renego sua presença naquele banco de praça ... eu sempre quis provar pra mim o quanto tudo não me afetava mais, e essa foi uma das únicas oportunidade que consegui.
Ele disse alguma coisa, nada de importância ... apenas perguntas casuais, quando não se tem mais nada a dizer qualquer palavra serve pra assunto, você não cobra mais que ele te pergunte o que tem feito, como foi o seu dia ... não cobra que ele permaneça calado por minutos a fio e muito menos se importa se ele prestou atenção ou não no corte de cabelo novo, na roupa nova, o quanto você passou horas em frente a um espelho tentando decidir qual o melhor jeito de ir se encontrar com ele ... você não cobra nada disso ! você apenas vai respondendo a tudo, vez ou outra fazendo perguntas casuais também e só ! Agora eu não escuto mais nada quando o silêncio nos atinge e sei que ele também não, o meu coração não se congelou na sua presença e nem o meu corpo elevou a temperatura quando nos apertamos as mãos. Sim, quando a distância de sentimentos fica grande, o coração não consegue suportar mais abraços e nem beijos, você relativamente sente que não é mais necessário nada daquilo e que o simples toque de uma mão com a outra, ou nem isso, basta!
Sim, agora ele acaba de notar tudo !, dá um sorriso meio sem graça e me olha profundamente de novo, quem sabe tentando agora resgatar um vestígio de descontrole que se encontra literalmente escondido pra não me desmascarar. Venho travando uma luta comigo mesma já faz tempos e quando a razão consegue finalmente vencer o meu coração, ele aparece pra justamente abalar as estruturas sólidas que eu havia construído, fosse o que eu sentisse estava guardado, fosse o que eu desejasse estava oculto ... eu havia me comprometido a esquecê-lo e mostrar a ele isso, não estava ali sentada me passando por ridícula a toa , eu queria que ele visse o quanto eu estava firme em minhas decisões, o quanto eu poderia ser neutra mesmo sabendo que o coração havia declarado guerra, tudo que eu sentia ficava guardado, o coração apesar de me mostrar tudo que me provocava na presença dele, não conseguia ser mais forte que o controle que eu estava tendo , que a frieza e tudo que mostrasse a ele a insignificância ... eu estava pronta pra vê-lo novamente ,e mostrar pra mim mesma que eu poderia viver sem ele naturalmente, e que a fase do amor incontrolável já havia passado.
Mais um toque e tudo se desmoronaria, me ergui. “Não, não podemos mais brincar de vai e volta, eu não sou brinquedo e muito menos você”, a rejeição que agora seria uma boa, se entalara na garganta e eu não consegui evitar que ele me puxasse pra perto de si, não consegui evitar o abraço, as carícias e por fim, fui fraca ao ponto de não conseguir evitar o beijo e o coração explodindo dentro de mim, mostrando que havia vencido mais uma batalha.
Eu me sentia inútil ... uma inútil feliz ... perdi o controle, me deixei levar novamente pelos sentimentos por Ele, e ignorei qualquer que fosse a insignificância que a razão estava conseguindo que eu demonstrasse. Agora pronto, ele se acharia o meu rei, o dono da situação ... ele não para de dizer o quanto sentiu minha falta e o quanto me ama ao mesmo tempo eu também não paro de retribuir o afeto e as palavras doces ... digo que o amo com todas as minhas forças e que não sei viver sem ele .
***
Derrotada mais uma vez, eu percebo que ainda não estou pronta pra deixar que a razão se machuque mais, as minhas armas ainda não estavam completas, talvez o erro tenha sido totalmente meu de fazer com que esse encontro seja cedo demais, e a bobeira de somente construir uma barreira no coração, a besteira de conseguir sentir ele não sabendo que o efeito anestésico que a razão me dera passaria logo .
Não vou mais chorar por enquanto e nem ao menos me preocupar com o próximo plano, porque eu sei que quando estiver totalmente pronta não vou sentir mais nada, e o fim do amor virá com a mesma intensidade da necessidade que tenho em estar com ele agora! ...







1 comentários:
Natalians.
Sou Biólogo, que reside em Sete Lagoas-MG, e percorro algumas páginas interessantes, com temas variados, com o propósito de divulgar o VERDE VIDA, dedicado à causa ambiental.
Felidades em sua bela jornada.
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