MEDO

De mistérios e água esse planeta é formado, com cavidades mais profundas que a alma da gente ... e eu Natália, particularmente tenho medo das pessoas que se encontram nele.
Quando vi uma a uma das pessoas que eram importantes para mim,me matarem de suas vidas comecei a sentir pavor, tive medo realmente quando me deparei pela primeira vez com a morte. Eu que não sei lidar nem comigo mesma, como vou poder contra caixões, choros e velas ?!
Entendi que elas partem sem ao menos avisarem, algumas avisam sim, mas só isso não basta, a hora da morte pega qualquer um desprevenido, qualquer pessoa fica vulnerável, em choque e algumas não suportam tamanha dor dentro do peito. Ok , as pessoas morrem e não nos deixam escolha a não ser chorar e chorar, e depois continuam suas vidas (ou não) em algum lugar enquanto a gente fica aqui rezando e se perguntando ‘Por que Meu Deus ?!’. Suicidas então, quanto egoísmo ! Apesar dessa Psicologia ainda em construção dentro de mim gritar o tempo todo o quanto eles NÃO SÃO EGOÍSTAS, essa parte minha que agora escreve ta tentando mostrar o quanto se é pavoroso tirar a própria vida não ligando se as outras pessoas que o cercam vão achar ruim ou não, você acaba com a sua dor e depois ?! Vai matar as pessoas que te amam pra não sofrerem com a sua perda também ?!
Algumas pessoas me causam pânico já a partir do momento em que começo a conversar com elas, você diz um ‘oi’ e já sabe que não vai passar daquilo, ela te abandona sem ao menos ter entrado na sua vida e isso não passa a valer como uma perda, mas acaba ficando como ‘Você é insignificante e tanto faz conversar com você ou não’ para ambas as partes.
Se não te matam, te jogam para um canto de suas vidas não menos pavorosas, te deixam de reserva ou simplesmente (puft!) desaparecem. Você não acha nada legal ser abandonado ou na maioria dos casos abandonada, por aquela pessoa que julgou ser a melhor pra sua vida, mas também não acha nada legal dar oportunidade pra pessoa que vem tentando há meses conseguir com agrados ao menos um abraço seu. De duas uma, ou você é muito masoquista ou a pessoa que é muito feia mesmo. E isso eu já posso considerar como sendo medonho.
E a noite se não estou falando estou gritando, e cada vez mais o grito é em silêncio. Aparecem-me as figuras primordiais, aquelas pessoas das quais você jurou um dia a eternidade e não conseguira cumprir a promessa por simplesmente ter sido arrancada e morta de alguma forma da vida delas, você então nutriu seus sonhos e levou eles para dar uma volta no seu inconsciente pois era ali realmente que deveriam estar o tempo todo, os sonhos evoluídos então se transformaram em medos que utilizaram do artifício do pesadelo para conseguirem se traduzir.
Aprendi , a ter pavor, a ter um medo imenso das pessoas, você nunca sabe quando uma delas vai novamente repetir todo o ritual e te sacrificar novamente, você nem ao menos faz idéia de quando quem está ao seu lado vai partir te deixando com a pior expressão possível de dor no rosto e no coração, ou então as causas naturais da vida vão começar a tirarem de você as pessoas que você tem de mais preciosas nesse mundo. Digo então que aprendi que devemos aprender a viver sozinhos, mesmo sabendo que a solidão seja a maior prova do quanto as pessoas fazem uma falta danada na sua vida ...!

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1 comentários:

Fernanda Toledo disse...

Ah... eu sou suspeita pra falar de suicidas, sabe?
Os poetas que eu mais amo (menos o Drummond!) se mataram... E o suicídio deles parece, de um lado, uma última forma de expressão, a mais radical e definitiva pra dizer tudo; por outro lado, parece também uma manifestação do desespero deles de nunca conseguir dizer tudo...

Mas achei lindo seu texto (detesto pessoas que me matam em suas vidas!), muito sensível!

beeijo

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